AUTO ELETRICA MARACAJU 20
Maracaju 100 ANOS

Quando o assunto é Maracaju, o coração bate forte!

Radialista escreve prosa em homenagem aos 100 anos de Maracaju, demonstrando carisma e reconhecimento por essa gente.

Por Noé Faria em 11/06/2024 às 14:40:25

Quando o assunto é Maracaju, a conversa rende, o papo se estende e foi assim que logo cedinho, ainda durante o café da manhã, recebi uma ligação, era o bom e velho amigo Pelé, que a tempo não o vejo, mas sempre nos falamos. Agarramos numa prosa e foi por minutos aquela conversa gostosa, e a prosa rendeu um bocado heim!. Falamos de passado, presente e até do futuro, imaginem... E o assunto como sempre, foi Maracaju!

Disse-me: hoje a terra que me viu nascer, crescer, está completando mais um aniversário, enfim, completa o seu primeiro centenário, e esta data eu sempre recordo com muita emoção, pois apesar da distância, "eu moro em Maracaju e Maracaju mora em meu coração".

Sabe amigo, sempre me vem na lembrança, aquele tempo bom e que já se foi, mas as marcas do passado está em mim marcado, é como uma marca no gado, assim como uma ferradura, a saudade também é dura, e implacável com as lembranças do passado.

Ah Maracaju, terra da fartura, de gente hospitaleira, de riquezas, de prosperidade, que nos enche de orgulho de ter nascido aí, berço de grandes nomes que constroem a sua história, e que mantêm viva a memória dos pioneiros que desbravaram este lugar.

Quando fecho os olhos, vejo papai tombando a terra com duas juntas de bois, era um tempo sofrido, poucos recursos existiam, mas ele sempre confiante, tocando adiante, pois sabia que a recompensa vinha depois.

Contou que na sua infância, ia na cidade a pé, a cavalo ou a charrete, fazer compras nos armazéns da época, hoje porém tudo mudou, o progresso chegou aonde passava bois, hoje só passam caminhonetes.

Eu disse amigo, os tempos difíceis ficaram para trás, no campo a tecnologia chegou com "força", estão quase dobrando a produção. Maracaju virou referência, como escreveu Vanessa Bordin em recente publicação, ''dos campos de vacaria a maior produtor do Mato Grosso do Sul'', se tornando um dos carros chefe da nação.

O velho arado, carro de boi, o tombador, hoje fazem parte de um passado, e que hoje deram lugar as máquinas avançadas, que auxiliam o produtor, no decorrer da sua jornada.

Eu acrescentei na conversa, que Maracaju avança em projetos de inovação, a Fundação MS é exemplo, dando suporte a cadeia de produção. O Showtec abriu "trincheiras" e mostrou ao produtor como é feita a integração.

Somos berço da tecnologia e inovação em pesquisa, Maracaju é referência no Agro, o sindicato rural está aí, auxiliando e capacitando os seus filiados.

Falou da estação da antiga noroeste, aonde se transportava cargas e passageiros, dali saia os grãos, por onde se escoava toda a produção para os portos brasileiros. O trem seguia apitando e alguém acenando, com um olhar de até mais, teve despedidas passageiras, teve um até breve, que por ocasião do destino virou um adeus para a vida inteira.

Disse-me ainda, quando nós recebíamos um telegrama, dizendo pela semana estaremos aí no "Matogrosso", eram os meus tios irmão de papai que moravam no nordeste, na hora marcada desembarcava na estação da antiga noroeste, de longe se ouvia o trem apitando, eram meus tios chegando, tudo era motivo de festa.

E as laçadas, continuam por ai? Respondi, por aqui, as armadas andam a mil, o Acatama sempre reunindo gerações para praticar o esporte "Classe A" do Brasil.

Nessa hora chegou a embaçar a vista, ao lembrar a imagem do avô e o neto na pista, passando de geração a geração a arte do laço comprido, é o esporte Classe A, que em Maracaju chegou para ficar e para fazer amigos.

A prosa seguiu no esporte e ele continou... amigo, tem noite que sonho e ainda me vejo no Loucão com bandeira na mão, pois era um maqueano de coração, até hoje tenho a camisa que comprei para assistir os jogos, e quando o MAC entrava em campo, tinha uma grande queima de fogos. No louquinho, basquete, vôlei e futsal era a alegria da juventude, além da prática do esporte ainda fazia bem a saúde.

Então lhe falei, que o MAC aos poucos está voltando, e dias destes fui lá no estádio Loucão, onde a garotada do Sub-13 estavam jogando. A nova diretoria trabalha duro para colocar o time no seu devido lugar, e que em breve querem estar na série A. Aproveitei e disse a ele, agora temos a ARENA MARACAJU, uma das mais modernas do Brasil, sempre com grandes eventos, atraindo uma grande multidão, um dia desses estive por lá assistindo um jogo do timão. E ele perguntou do Erlei, eu disse esse não para não, o "homi" trabalha dobrado, levando o nome do esporte maracajuense para todos os lados.

A figueira, ah a figueira ainda continua por lá, com toda a sua imponência e sua bela paisagem deixando mais lindo ainda aquele lugar.

Lembrou-me, dia desses, eu estava olhando a foto da figueira que você me mandou, meus olhos encheram d'água, o recordar o passado e rever algo tão lindo que Deus nos presenteou.

Aos domingos íamos a missa agradecer a Deus e pedir proteção, para nós era motivo de felicidade, mamãe era devota e aos pés da virgem santa sempre se ajoelhava, cena que por mim jamais será esquecida, ela ali de joelhos diante de Nossa Senhora Aparecida, padroeira da nossa cidade. A prosa foi esticando e ele foi lembrando, das missas da matriz, no domingo cedinho Padre Beto fazia linda celebração. Devotos sempre lotavam a casa de nosso senhor, uns agradecia, já outros pediam proteção.

Ah o tempo, como o tempo é implacável, quando escuto uma moda na rádio tocar, chego a arrepiar de tanta emoção. Me lembro de tantos artistas que tocaram e tocam nossos corações. A voz embargou e ele falou: Sabe me bateu uma saudade do Xixa tocando um chamamé, e os originais de Maracaju vocês já sabem como é, suspirou e disse, agora a saudade falou mais alto e me lembrei dos irmãos Paré. Artistas locais sempre foram um show a parte e o Espindola quando abre sua gaita é uma verdadeira obra de arte, os bailão do CTG sempre chamou atenção, Manega, lá no passado, com seu violão era imbatível nas rodas de cantoria, que começava a noite e acabava só no outro dia. Ah e a dama do rasqueado, ilustre cidadã maracajuense, que nasceu ai do lado, de Vista Alegre a nossa saudosa e querida Délinha, me bateu uma lembrança da minha infância na nossa velha casinha.

A ele eu respondi, por aqui, os músicos vão se ajeitando, o Diogo Toledo, o filho do Zé Alfredo, está sempre tocando, o Wilson e o Cristiano, rodam todo estado, seu trabalho mostrando, são tantos artistas que a mente deu um nó e alguns não consegui recordar, mas que na próxima ligação de todos eles eu iria lembrar.

Disse a ele: que esses dias fui num bailão no CTG, estava bom de mais da conta, coisa linda de se vê. Na Acácia Branca, teve um bailão regional, e o Onozor trouxe outro dia, um mega show nacional, fez mais um Fama viola e levou uma multidão, evento já é consagrado, pois mantém a tradição.

Com a prosa esticada, lembrou-me da peonada que ajeitava a tráias, todos em seus trajes country em um espetáculo bonito, eram 4 noites de rodeio, da marca cabeça do amigo Valdir de Brito. E o chão levantava poeira na Expomara, sacudindo todo mundo, com as emoções dos 8 segundos.

Ah e o Seo Valdir de Brito, como ele está? Eu disse: ele não para, está sempre seguindo o seu caminho, dia desses estava com a Marca cabeça, fazendo rodeio lá em Porto Murtinho. Aonde tem rodeio ele vai, inclusive fez um rodeio ali no País vizinho, Paraguai.

É companheiro, vários são os sabores de Maracaju, mas um em especial nos dá água na boca, e o seu sabor aguça o paladar e não me sai do pensamento, feita de carnes nobres, tem até o linguicito por monumento, tem até a festa tradicional, vindo gente de norte a sul, estou falando da famosa Linguiça de Maracaju. Perguntei a ele se tinha recebido a encomenda, que havia lhe mandado, respondeu que sim e disse-me, muito obrigado. Que tinha feito um churrasco e até tomou uma cachaça de alambique, que tinha ganhado de um amigo lá do sul, só para poder apreciar a famosa linguiça de Maracaju.

Comentei com ele sobre a AMAR, associação amigos do autismo de Maracaju, sobre o trabalho que eles desenvolvem por lá. É algo extraordinário, abençoado por nosso senhor e que tudo se encaixa, quando há amor.

Passou uma cena na memória e me lembrei agora do Davi Cardoso e os filmes gravados na nossa querida Maracaju, e o lendário João Boiadeiro que virou tema de música e encantou este chão brasileiro. Ah se o "Seo" João Pedro Fernandes, estivesse vivo, com certeza iria falar, nossa como valeu a pena nesta terra acreditar, talvez no seu gesto simples, daria um suspiro e olhando para o infinito, de joelhos diria: obrigado Deus, nossa como valeu a pena.

Disse a ele, não se preocupe que a cidade está bem cuidada, está cada vez mais linda, com obras para todos lados, o Calderan e o Maurão vem trabalhando dobrado. E que a Câmara e a Prefeitura andam trabalhando lado a lado.

E em um palavreado simprão ele me disse: já avisei a "muié", no começo do ano que vem, eu "vórto", para o Mato Grosso do Sul e ai serei mais um para comemorar os 101 anos de Maracaju.

Terminando a prosa ele me perguntou, como está Maracaju?

Ah Maracaju, Maracaju como disse o Luiz Nascimento em uma canção, está cada dia melhor...

Uma terra de fartura que por DEUS foi abençoada, se tendo coragem para trabalhar por aqui não falta nada, despeço-me humildemente homenageando todos os meus conterrâneos, a eles eu digo: Parabéns Maracaju por seus 100 anos... Aos Maracajuenses esse povo, guerreiro, trabalhador e solidário, parabéns! Por seu primeiro centenário.

Prosa a Maracaju 100 anos.

"Quando o assunto é Maracaju, o coração bate forte!"

Autor: Noé Faria

Noe Soares de Faria - Jornalista DRT 1704/MS.

Fonte: Maracaju Notícias

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nino
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